“Tudo tem limite”, diz irmão de brasileiro preso na Venezuela

"Incitei ser preso", diz Jonatan Moisés Diniz
“Incitei ser preso”, diz Jonatan Moisés DinizReprodução/Facebook

A família do brasileiro Jonatan Moisés Diniz — detido na Venezuela no fim de dezembro e libertado na última semana — afirma que desconhecia o fato de que a prisão do catarinense fora premeditada por ele mesmo. A revelação foi feita pelo irmão de Jonatan, Juliano Diniz, em mensagem enviada ao R7.

— Jamais [imaginamos que fosse um ato premeditado], nós não sabíamos nem que ele havia sido preso até uma amiga dele entrar em contato para falar sobre a detenção. Peço desculpas, mas me desliguei totalmente de qualquer assunto envolvendo o Jonatan. Por mais que ele seja da minha família, tudo tem limite.

Em vídeo publicado nas redes sociais nesta quarta-feira (10), o catarinense Jonatan Moisés Diniz diz que foi à Venezuela em dezembro com a intenção de ser detido como opositor do governo para ganhar visibilidade. Segundo ele, a ideia seria chamar atenção para os trabalhos de caridade que realiza para ajudar crianças carentes no país governado por Nicolás Maduro. 

— Se eu fui pra lá e eu fui preso foi porque eu incitei ser preso, porque eu planejei ir para a Venezuela chamar a atenção e ser preso. Porque eu sozinho, com o dinheiro que eu tinha, não ia dar pra salvar nem cem crianças. Aconteceu exatamente como estava no meu plano, chegar nas televisões. Não fizeram nada de mal comigo e o plano deu absolutamente certo. Peço desculpa se as pessoas ficaram receosas, mas os fins justificam os meios.

O caso, que veio a público no dia 29 de dezembro, ganhou repercussão internacional. O Itamaraty e o Consulado brasileiro em Caracas passaram a acompanhar o episódio, entrando em contato com autoridades locais e com a família de Jonatan para prestar assistência consular. O Ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, anunciou a expulsão do catarinense da Venezuela e o encerramento do incidente por meio de sua conta no Twitter no último 6 de janeiro.

 

Tensão entre países

A prisão de Jonatan Diniz foi divulgada na Venezuela pelo dirigente chavista Diosdado Cabello. As autoridades teriam detido o brasileiro sob a acusação de que ele promoveria atividades contra o governo de Nicolás Maduro.

Brasil e Venezuela ainda vivem uma crise diplomática que se agravou desde o último dia 23 de dezembro, quando a expulsão do embaixador brasileiro em Caracas, Ruy Pereira, foi anunciada pela Assembleia Constituinte venezuelana. Alguns dias depois, o Itamaraty aplicou o princípio da reciprocidade presente nas relações internacionais e declarou persona non grata o encarregado de negócios venezuelano em Brasília, Gerardo Antonio Delgado Maldonado.

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